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01 novembro 2017

RESENHA: Quarto - Emma Donoghue

Autora: Emma Donoghue
Ano: 2011
Páginas: 350
Editora: Verus
Sinopse: Para Jack, de 5 anos, o quarto é o mundo todo. É onde ele e a Mamã comem, dormem, brincam e aprendem. Embora Jack não saiba, o sítio onde ele se sente completamente seguro e protegido, aquele quarto de 11m², é também a prisão onde a mãe tem sido mantida contra a sua vontade. Contada na divertida e comovente voz de Jack, esta é uma história de um amor imenso que sobrevive a circunstâncias aterradoras e da ligação umbilical que une mãe e filho.

Jack é um menino inteligente, amoroso, curioso e ingênuo, que acaba de completar seus tão sonhados cinco anos (afinal, cinco é seu número favorito). Ele vive com a mãe no Quarto – um lugar minúsculo onde nasceu e cresceu. Ali, Jack também aprendeu a andar, falar e ler. Todos os dias, ele brinca, faz exercícios, lê e assiste Dora, a Aventureira na televisão. Para Jack, o Quarto é o mundo todo (lá tem a Cama, o Guarda-Roupa, o Tapete e o Cobertor). Fora dele, há apenas o espaço sideral e nada mais – exceto por um homem.

O Velho Nick é a única pessoa a quem Jack sabe da existência. Ele é quem traz comida, vitaminas, remédios, roupas e, principalmente, o Presente de Domingo. À noite, ele vem até o Quarto. Nesse momento, Jack já está deitado no Guarda-Roupa e, em vez de contar carneirinhos, se distrai contando os rangidos que o Velho Nick faz na Cama. Na manhã seguinte, quando Jack acorda, só existe ele e a mãe no Quarto, novamente. E essa é um pouco da rotina de Jack.

O que ele ainda não sabe é o seguinte: o Quarto é um galpão velho onde sua mãe é mantida em cativeiro há sete anos. Foi sequestrada pelo Velho Nick quando ainda era adolescente e, desde então, nunca mais teve contato com ninguém. Jack descobre, então que o Quarto não é nada comparado ao mundo: segundo a mãe, existe o Lá Fora, onde há árvores, pássaros, aviões e pessoas de verdade, e tudo o mais mostrado na televisão é real (exceto pela Dora, infelizmente, ela é apenas um desenho...). Lá Fora, a mãe também tem uma mãe e um pai, a quem Jack poderá chamar de vovô e vovó.

Apesar de, inicialmente, pouco acreditar nessas afirmações, Jack, aos poucos, vai se acostumando com a ideia de conhecer o Lá Fora. Depois de ajudar, mesmo contra a vontade, nos planos de fuga elaborados por sua mãe, ambos, enfim, escapam do Quarto. Entretanto, com esse novo mundo a ser explorado, Jack não demora a perceber quão diferentes serão as suas vidas longe daquelas quatro paredes.

“Quarto” já seria uma obra capaz de encantar apenas pela capacidade da autora, Emma Donoghue, em transformar um tema sério em uma leitura leve. Através de um olhar ingênuo de um garotinho de cinco anos, que está descobrindo o mundo) percebemos o quão forte são os acontecimentos ao redor e como, ao criá-lo em meio ao horror daquela situação, sua mãe fez o possível para protegê-lo. É um livro forte, com uma história triste e muito comovente. Em várias passagens, pude sentir a emoção dos personagens e, confesso, ter chorado junto. 

A obra já estava em minha listinha há algum tempo e, enfim, consegui realizar a leitura. Gostei muito da história, principalmente, por apresentar a vida dos protagonistas no quarto e o processo de adaptação de ambos, após a fuga. Além disso, achei interessante como a autora explorou a relação de mãe e filho e a dificuldade da primeira em enfrentar sua nova condição de vida (a qual tanto havia desejado). Entretanto, a narrativa me incomodou em alguns pontos. Apesar de elogiar a escolha da autora e perceber como a narração do Jack é o grande diferencial de o “Quarto”, admito que, em determinadas passagens, tornou a história um pouco cansativa e irritante, mas nada que viesse a alterar minha opinião final.  


O Quarto de Jack 

A adaptação cinematográfica da obra de Emma Donoghue, intitulada “O Quarto de Jack”, estrelada por Brie Larson (atriz vencedora do Oscar por esse papel) e Jacob Tremblay, chegou aos cinemas em fevereiro de 2016. Por desejar ler o livro primeiro, somente agora assisti ao filme e, simplesmente, adorei. Me deu uma nova percepção da história e da angústia de viver em um lugar tão pequeno quanto o quarto. Segue abaixo, o trailer legendado: 




E vocês, já leram ou assistiram o filme? Comentem! Vou adorar saber a opinião de cada um! 😉


20 outubro 2017

RESENHA: A Mulher do Viajante no Tempo - Audrey Niffenegger

Autor(a): Audrey Niffenegger
Ano: 2009
Páginas: 456
Editora: Suma das Letras
SINOPSE: "A Mulher do Viajante no Tempo" conta a história do casal Henry e Clare. Quando os dois se conhecem Henry tem 28 anos e Clare, 20. Ele é um moderno bibliotecário; ela, uma linda estudante de arte. Os dois se apaixonam, se casam e passam a perseguir os objetivos comuns à maioria dos casais: filhos, bons amigos, um trabalho gratificante. Mas o seu casamento nunca poderá ser normal. Henry sofre de um distúrbio genético raro. De tempos em tempos, seu relógio biológico dá uma guinada para frente ou para trás, e ele se vê viajando no tempo. Causados por acontecimentos estressantes, os deslocamentos são imprevisíveis e Henry é incapaz de controlá-los. E Clare, para quem o tempo passa normalmente, tem de aprender a conviver com a ausência de Henry e com o caráter inusitado de sua relação.

Em 26 de outubro de 1991, Henry tem 28 anos e Clare, 20. Nesse dia, Henry conhece a mulher responsável por mudar a sua vida. Ela, no entanto, já o conhecia há muito tempo – há quatorze anos, especificamente – e sabia que estava destinada a ser sua esposa. 

Clare tinha seis anos quando viu Henry pela primeira vez. Ela estava brincando, sozinha, na enorme propriedade da família, no Michigan, quando notou a presença de um estranho. Lá estava Henry, com uns trinta e tantos anos, nu, escondido atrás de um arbusto e se dizendo um viajante no tempo. Esta foi, também, a primeira vez que Clare o viu desaparecer. Ao longo dos anos seguintes, os dois ainda se viram muitas vezes. Através desses encontros (que podiam variar de uma tarde a um período de três dias), Henry foi espectador ativo do desenvolvimento de Clare, acompanhando todas as suas fases, desde a infância, onde a auxiliava nos deveres de casa e jogos de xadrez, à adolescência, enquanto esquivava-se das investidas de uma Clare já crescida e apaixonada. 

Henry tem, de fato, o dom (ou seria maldição?) de viajar no tempo. Atribuída a uma anomalia genética, essas viagens ocorrem de repente, sem Henry esperar ou planejar – basta apenas um momento de estresse ou euforia. 

HENRY: Como é a sensação? Como é? 
Às vezes é como se sua atenção se desviasse um instantinho. Então, sobressaltado, você percebe que o livro que estava na sua mão, a camisa vermelha de algodão xadrez com botões brancos, o jeans preto preferido e as meias marrons quase furadas, a sala, a chaleira prestes a apitar na cozinha: tudo isso sumiu. Você está em pé, pelado, dentro de uma vala, com água gelada até os tornozelos, numa estrada de terra não identificada. Você espera um minuto para ver se talvez vai voltar direto para seu livro, seu apartamento et cetera. Você passa uns cinco minutos xingando, tremendo de frio e torcendo para desaparecer.

Às vezes você tem a sensação de ter se levantado depressa demais, ainda que esteja deitado na cama meio dormindo. Você ouve o sangue correndo na cabeça, tem sensações de queda vertiginosas. Suas mãos e seus pés formigam e logo já não estão mais ali. Você se perdeu de novo.

Apesar de ter um emprego estável (até onde possa ser possível) como bibliotecário e ser uma boa pessoa, Henry, como é de se imaginar, não leva uma vida fácil: tem uma relação tumultuada com seu pai e exagera, constantemente, no uso de drogas e álcool. Isso tudo muda quando, enfim, conhece Clare. O relacionamento dos dois tem uma influência positiva em Henry, que começa a amadurecer e transformar-se, aos poucos, no homem que irá visitar/visitava Clare no campo. 

Assim como em qualquer casamento, a relação dos dois tem períodos complicados, dificultados ainda mais pela condição de Henry. Mesmo sabendo como seria sua vida, Clare sente-se, constantemente, solitária e preocupada. Henry some de repente, passa dias fora e, dependendo do período para onde foi, nunca se sabe as condições em que ele retornará. 

CLARE: é difícil ficar para trás. Espero Henry, sem saber dele, me perguntando se está bem. É difícil ser quem fica.
(...) Há muito tempo, os homens iam para o mar, enquanto as mulheres ficavam na praia, esperando e procurando o barquinho no horizonte. Agora espero Henry. Ele some sem querer, sem avisar. Espero. Tenho a sensação de que cada minuto de espera é um ano, uma eternidade. Cada minuto é lento e transparente como vidro. A cada minuto que passa, vejo uma fila de infinitos minutos, à espera. Por que ele foi aonde não posso ir atrás?

E, ao mesmo tempo, Henry sofre por deixá-la nessa situação.

HENRY: (...) E Clare, sempre Clare. Clare de manhã, sonolenta e de cara amassada. (...) Clare lendo, com o cabelo solto sobre o encosto da cadeira, passando hidratante nas mãos vermelhas e rachadas antes de dormir. A voz baixa de Clare está em meu ouvido com frequência.
Odeio estar onde ela não está, quando não está. No entanto, vivo partindo, e ela não pode vir atrás.

Gostei bastante do livro. Apesar de ser a obra de estreia da americana Audrey Niffenegger, ela soube conduzir extremamente bem a história. Com uma narrativa em primeira pessoa, a história é intercalada entre os pensamentos de Clare e Henry, tornando-se, assim, muito mais profundo o envolvimento do leitor com ambos os protagonistas. É um livro relativamente denso, exigindo do leitor sua máxima atenção (os detalhes são muito importantes nessa narrativa) – a história prende e emociona até o fim. E quando acaba, vem aquele conhecido desejo de quero mais. 

Confesso já tê-lo tentado ler, há alguns anos, e desistido logo no início. Dessa vez, me passou a mesma sensação de cansaço nas primeiras páginas. Entretanto, acabei insistindo e me apaixonando pelo livro, tornando-se um dos meus favoritos. Então, se você não gostar do início, dê uma chance; eu tenho certeza que não vai se arrepender.  



Caso você esteja achando a história levemente familiar, o livro teve os direitos comprados e uma adaptação foi feita, em 2009: o filme “Te Amarei Para Sempre”. Confira o trailer abaixo.



Estrelado por Rachel McAdams e Eric Bana, o longa foi, salvo algumas exceções, bastante fiel ao livro. Assistam, independente do livro. O filme é muito bom.

06 setembro 2017

RESENHA: O Segredo de Emma Corrigan - Sophie Kinsella

Ano: 2005
Páginas: 384
Editora: Record
SINOPSE: A vida de Emma Corrigan não é extremamente um livro aberto. Ela tem segredos que não revela para ninguém, muito deles sobre o seu trabalho e namorado. No entanto, durante uma viagem de avião repleta de turbulências, ela pensa que vai morrer e acaba contando todos os segredos para o bonitão ao lado.

Acabei de ler mais um livro de Sophie Kinsella e, assim como nos casos anteriores (Os delírios de Consumo de Becky Bloom e Fiquei com o Seu Número), fui novamente surpreendida por uma história divertida e leve. A escrita, totalmente em terceira pessoa e seguindo o conhecido estilo da autora, é clara e descomplicada, tornando a leitura fácil e rápida, podendo ser finalizada em pouco tempo.

Como uma típica representante do gênero chick-lit, a obra traz, como protagonista, a inglesa Emma Corrigan, de 25 anos. Assistente de marketing em uma empresa de produtos energéticos e esportivos, Emma trabalha e mora em Londres, onde divide o apartamento com a advogada Lissy, sua melhor e mais antiga amiga, e Jemina, uma moça meio irritante e extremamente mimada. Tem como namorado, o "loiro alto, bonito e inteligente" Connor, seu colega na Corporação Panther e que acaba de convidá-la para morarem juntos. 

Mesmo possuindo uma relação familiar complicada – vive dividindo e perdendo a atenção dos pais com a prima Kerry –, e com uma carreira profissional nada promissora, Emma possui uma vida bem normal. Até mesmo seus segredos são normais: afinal, quem nunca mentiu sobre o peso para o namorado ou exagerou um pouco no currículo? 

Trabalhando há onze meses, Emma é enviada a Glasgow, pela empresa, para uma reunião e vê nessa viagem a chance da tão esperada promoção (que, enfim, lhe dará alguma perspectiva de carreira). Infelizmente, nada sai como o planejado. Voltando da Escócia, seu voo sofre alguma turbulência e nossa protagonista acaba entrando em pânico (outro segredo: ela tem medo de aviões!). Desesperada e tendo a certeza de irá morrer, Emma começa a fazer algumas revelações para um americano ao seu lado. Entretanto, ela conta não apenas aqueles segredinhos citados acima, mas também algumas coisas constrangedoras e que, em situações normais, jamais seriam reveladas. Aqui estão alguns exemplos:

  • o fato de ter perdido a virgindade em seu quarto de hóspedes, enquanto seus pais assistiam ao filme Ben-Hur;
  • sua calcinha fio-dental (que Connor lhe deu em tamanho 38) estar realmente lhe incomodando;
  • ter matado o peixinho dourado de seus pais e, sem que percebessem, tê-lo o substituído por outro;
  • não saber se tem um ponto G e ter vontade de rir durante a transa;
  • detestar sua colega de trabalho e sempre molhar sua planta com suco de laranja;
  • sempre quebrar a impressora do escritório,
  • não fazer ideia do que significa a sigla Otan e nem do que se trata.
Sim, Emma fala muito e essas não foram nem 20% de suas revelações. 

Claro, o avião pousa normalmente e surge o constrangimento natural entre ela e o americano. Mas qual o problema se ele é um completo estranho e nunca mais se encontrarão? Pois então, o problema surge exatamente quando, já na empresa, Emma descobre que o tal americano é, na verdade, Jack Harper – fundador e presidente da Corporação Panther. 

Inicia-se, assim, a verdadeira história da trama: o desenrolar das confusões em que Emma acaba se metendo e a reviravolta causada pela inesperada entrada de Jack em sua vida. 

Apesar de possuir um final previsível, a trama ainda tem a capacidade de prender o leitor até sua última página. Recheada com muitas doses de humor e romance, eu, claramente, gostei da história. E se você tem o costume de ler e se divertir como esse gênero, tenho certeza de que também irá gostar. 



27 julho 2017

RESENHA: Cidade dos Etéreos – Ransom Riggs

"Cidade dos Etéreos" dá sequência ao celebrado "O orfanato da srta. Peregrine para Crianças Peculiares", em que o jovem Jacob Portman, para descobrir a verdade sobre a morte do avô, segue pistas que o levam a um antigo lar para crianças em uma ilha galesa. O orfanato abriga crianças com dons sobrenaturais, protegidas graças à poderosa magia da diretora, a srta. Peregrine. Neste segundo livro, o grupo de peculiares precisa deter um exército de monstros terríveis, e a srta. Peregrine, única pessoa que pode ajudá-los, está presa no corpo de uma ave. Jacob e seus novos amigos partem rumo a Londres, cidade onde os peculiares se concentram. Eles têm a esperança de, lá, encontrar uma cura para a amada srta. Peregrine, mas, na cidade devastada pela guerra, surpresas ameaçadoras estão à espreita em cada esquina. E, além de levar as crianças a um lugar seguro, Jacob terá que tomar uma decisão importante quanto a seu amor por Emma, uma das peculiares. Telecinesia e viagens no tempo, ciganos e atrações de circo, malignos seres invisíveis e um desfile de animais inusitados, além de uma inédita coleção de fotografias de época — tudo isso se combina para fazer de Cidade dos etéreos uma história de fantasia comovente, uma experiência de leitura única e impactante.
Finalizei, recentemente, a leitura do segundo livro da série sobre o universo dos peculiares, Cidade dos Etéreos, e, assim como na leitura do primeiro volume, esperava mais da história. Como já havia mencionado na minha resenha sobre a O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, continuo a considerá-los bons livros, como uma boa proposta, mas nada que venha a justificar tamanho sucesso pelo mundo. 


O livro se inicia exatamente no ponto onde história anterior foi encerrada. Jacob e os peculiares, juntamente com a Srta. Peregrine – em situação delicada –, partem da ilha com o objetivo de chegar a Londres e ajudar a diretora. Entretanto, essa jornada não se mostra nada simples: a Inglaterra encontra-se em plena Segunda Guerra Mundial, sendo constantemente bombardeada pelos alemãs, os acólitos estão em seus rastros e não há segurança em lugar algum, nem mesmo nas, antes impenetráveis, fendas temporais (locais criados por ymbrynes afim de proteger os peculiares, com um único dia sendo repetido infinitamente). 


A narrativa segue rápida, nos apresentando a outros peculiares, novas fendas e, claro, às fotografias antigas. E esse último item continua sendo o ponto alto da obra. Entretanto, ao contrário do volume anterior, onde as fotografias encaixavam-se perfeitamente ao longo da história, agora elas me passaram a sensação de estar presentes no livro com a finalidade de agradar aos fãs, sendo simplesmente “jogadas” em meio a situações escritas apenas para incluí-las. 


A edição, por outro lado, está fantástica. A Editora Intrínseca presenteou o público com um livro lindo, em capa dura, sobrecapa e páginas coloridas. Para quem não sabe, a Intrínseca divulgou, recentemente, que irá publicar o primeiro volume da série neste mesmo formato (originalmente, no Brasil, a obra foi lançada pela Editora Leya). Além disso, após a finalização da trama, a edição trás uma entrevista com o autor, Ransom Riggs, que conta um pouco mais sobre o processo criativo da história – explicando um pouco melhor sobre as tais fotografias desse volume – e o primeiro capítulo do próximo livro da série, Biblioteca de Almas


Mesmo me decepcionando com a narrativa, acredito que o livro irá agradar a todos aqueles que se encantaram com o primeiro livro. E, sobre a adaptação cinematográfica que estreou na última quinta-feira (29), alguém já assistiu? Se sim, postem nos comentários, pois estou curiosa para saber como os peculiares se saíram nas telonas!! 


15 julho 2017

RESENHA: Canções de Ninar de Auschwitz – Mario Escobar


Neste livro, Mario Escobar conta a trajetória real de uma família que passou 16 meses encarcerada em um campo de concentração nazista. Helene Hannemann era alemã, mas mesmo assim optou por partir para Auschwitz junto de seu marido e os cinco filhos com ascendência cigana quando os policiais da Gestapo bateram à sua porta. Por ser enfermeira, mas, sobretudo, alemã, Helene foi escolhida pelo médico Josef Mengele, mais tarde conhecido como ‘O Anjo da Morte’, para ser a diretora do jardim de infância do campo. No final da guerra, entre os papéis de Mengele, foi encontrado o diário que Helene manteve durante todo o seu período no campo de extermínio. Tendo como base a infeliz história daquela família, o autor nos emociona e surpreende ao narrar os medos, privações, torturas e até mesmo histórias de superação que milhares de pessoas vivenciaram sob o poder dos nazistas. 
É de conhecimento geral o fato de a Alemanha carregar uma grande mancha em sua história. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo nazista foi responsável direto pelo assassinato em massa de milhões de pessoas em seus campos de extermínio. Apesar de o povo judaico ter sido o principal alvo do regime, muitos ignoram que esses campos (sendo Auschwitz o maior e mais conhecido deles) foram cenários do aprisionamento e morte de outros grupos também considerados “indesejáveis”, como prisioneiros soviéticos, homossexuais, indivíduos com problemas físicos e/ou mentais, divergentes políticos e ciganos. É sobre este último povo que se trata o livro.

Pois bem, como descrito na sinopse, Mario Escobar nos apresenta a história real da enfermeira alemã Helene Hannemann, casada há anos com Johann, um violinista de origem cigana, e mãe de cinco filhos: Blaz, Otis, o casal de gêmeos Emily e Ernest e a pequena Adália. Por pertencer a um dos tais povos indesejados – conhecido como zíngaro pelos alemães –, sua família é levada, em maio de 1943, pela Gestapo (a polícia secreta nazista), à Auschwitz, na Polônia. Apesar de ser considerada uma autêntica ariana e, dessa forma, ter o direito de continuar livre, Helene decide acompanhá-los. 


Depois de uma longa e torturante viagem de trem, a família Hannemann chega ao acampamento cigano, em Birkenau Auschwitz II. Separados de Johann, Helene e os filhos são, inicialmente, conduzidos ao barracão de número quatro, ocupado por prisioneiras russas, onde passam seus primeiros dias em grande sofrimento. Logo, nossa protagonista consegue autorização de mudança para junto de outros ciganos e, assim, tem início sua emocionante luta em manter sua família viva. 

Como enfermeira, Helene imediatamente é designada para trabalhar junto ao hospital do campo, chamando a atenção do médico nazista Josef Mengele. O chamado “Anjo da Morte”, admirado por sua coragem ao decidir seguir a família (e, principalmente, por ser alemã), a nomeia responsável por montar e dirigir a creche que seria criada no acampamento cigano. Neste local, Helene percebe a oportunidade de salvar não apenas seus filhos, mas o maior número possível de crianças. Dirigindo a creche de maio de 1943 a agosto de 1944 e decidida a sobreviver a qualquer custo, Helene enfrentou Mengele e oficiais nazistas para garantir a esperança e a inocência viva dentro daquelas crianças.



Ao longo do relato de Helene, o leitor é apresentado aos horrores presentes em tais campos de extermínio, junto às atrocidades presentes nas experiências realizadas por Mengele. Apesar de recomendar ao público interessado em histórias sobre a Segunda Grande Guerra, considerei romantizada demais a forma encontrada pelo autor para expressar as emoções e pensamentos da protagonista. Talvez Escobar tenha tentado amenizar um pouco o impacto da experiência para o leitor, mas deu a impressão de algumas passagens serem tanto quanto fantasiosa, mas nada que afete o prazer da leitura.



Alguém já conhecia a história de Helene? 

30 março 2017

OS 13 PORQUÊS (13 Reasons Why) – Novo lançamento da Netflix

Hoje, eu resolvi mudar um pouco o assunto. Vim falar sobre uma série que estou bastante ansiosa para assistir: Os 13 Porquês (13 Reasons Why).


Com estreia mundial marcada para esta sexta, 31 de março, na Netflix, a série possui todos os ingredientes para se transformar em mais um grande sucesso da conhecida plataforma de streaming. Produzida pela atriz e cantora Selena Gomez, a trama é baseada na obra homônima de Jay Asher.

Publicado em 2007, nos Estados Unidos, o livro tornou-se um fenômeno, chegando a alcançar o primeiro lugar na lista de best-sellers do New York Times, quatro anos depois. Infelizmente, no Brasil, a obra de Asher ainda é relativamente conhecida, só alcançando o grande público em razão da Netflix. Li esse livro incrível há alguns anos, em meados de 2010 – apenas tive acesso à história por meio de arquivos em .pdf, disponibilizados na internet –, e me encantei pela trama.


A narrativa de Os 13 Porquês baseia-se em Clay Jensen, um adolescente de dezesseis anos, que, certa tarde ao chegar do colégio, encontra, à sua espera, um caixa e, em seu interior, algumas fitas cassetes. Ao escutar o conteúdo das mesmas, uma surpresa: a voz, presente nas gravações, pertence à Hannah Baker, uma colega que cometera suicídio havia poucos dias. Nas fitas, ela descreve as razões que a levaram a tirar a própria vida e as pessoas responsáveis por essa decisão. E Clay não é o único a ter acesso a essas gravações: cada uma das pessoas relacionadas com sua morte receberão a caixa e, após ouvirem seu conteúdo, deverão repassar para a pessoa seguinte.


A trama criada por Jay Asher é sensacional. Apesar de estar relacionada ao universo adolescente, foge bastante de outros romances ao qual o público está acostumado. Além de tratar de um tema pesado e delicado, como o suicídio, a história ainda toca em um assunto amplamente discutido atualmente: o bullying.

Segundo a Netflix, a série terá treze episódios. Seu elenco traz a estreante Katherine Langford, no papel de Hannah, e Dylan Minnette (Goosebumps – Monstros e Arrepios) como Clay; além de contar ainda com a presença da sempre maravilhosa Kate Walsh (a dra. Adisson, de Grey’s Anatomy).


Estou muito ansiosa para essa estreia e já pretendo fazer maratona 😊. Espero, sinceramente, que a série não cause decepções, pois minhas expectativas estão bastante elevadas!! Os 13 Porquês foi um livro que me marcou profundamente, permanecendo em meus pensamentos durante muito tempo após a leitura do mesmo. Espero que essa adaptação seja capaz de produzir os mesmos sentimentos que o livro me incutiu há sete anos...

E, para quem ainda não assistiu, segue o trailer legendado da série, liberado, no início do mês, pela Netflix.


26 março 2017

RESENHA: Fiquei com o seu número – Sophie Kinsella


A jovem Poppy Wyatt está prestes a se casar com o homem perfeito e não podia estar mais feliz... Até que, numa bela tarde, ela não só perde o anel de noivado (que está na família do noivo há três gerações) como também seu celular. Mas ela acaba encontrando um telefone abandonado no hotel em que está hospedada. Perfeito! Agora os funcionários podem ligar para ela quando encontrarem seu anel. Quem não gosta nada da história é o dono do celular, o executivo Sam Roxton, que não suporta a ideia de haver alguém bisbilhotando suas mensagens e sua vida pessoal. Mas, depois de alguns torpedos, Poppy e Sam acabam ficando cada vez mais próximos e ela percebe que a maior surpresa da sua vida ainda está por vir.
Segunda obra de Sophie Kinsella lido por mim (o anterior havia sido "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom) e estou começando a gostar do estilo da autora. Com uma trama leve e divertida, Kinsella nos apresenta Poppy Wyatt, uma fisioterapeuta inglesa, que, às vésperas de casar-se com Magnus Tavis, o homem de seus sonhos, leva uma vida praticamente perfeita. Entretanto, durante uma reunião com as amigas, o anel de noivado de Poppy (presente há gerações na família Tavis) desaparece e, logo em seguida, seu celular é roubado.

Desesperada, sem um número para ser contatada caso a joia seja recuperada, Poppy encontra, quase por milagre, um celular abandonado em uma lata de lixo. Seguindo a velha regra do “Achado não é roubado!” (afinal, estava em uma lixeira e lixeira é propriedade pública!!), apropria-se imediatamente do aparelho. O problema é que o celular pertence a Sam Roxton, um bem-sucedido executivo londrino, e à empresa onde trabalha. Disposta a ficar com o aparelho, nossa protagonista se compromete a repassar todos os recados e e-mails importantes a Sam até seu anel ser encontrado. Afinal, não deve demorar tanto tempo assim... Certo?

Entretanto, ao dividir algo tão pessoal quanto um celular, é natural que Sam e Poppy comecem a se conhecer melhor, causando muitas mudanças na vida de ambos. Mas, ao longo do caminho, Poppy ainda passará por pequenas trapalhadas.

Sophie Kinsella nos brinda com uma típica história do gênero chick-lit, com boas pitadas de humor e romance. Mesmo sendo um pouco previsível, a história me prendeu bastante. A obra é inteiramente narrada pela protagonista, uma mulher interessante e divertida, esforçada em agradar a todos. E esse acaba sendo seu ponto negativo: sempre preocupada com a opinião das pessoas à sua volta, Poppy acaba por anular a si própria – fato que acabou me irritando em alguns momentos.

No Brasil, o livro foi lançado em 2012, pela Editora Record. Apesar de ser um pouco extenso (o livro possui 464 páginas), a escrita é bem simples e a leitura flui naturalmente. Ótima para quem procura um romance fofo simplesmente para passar o tempo e relaxar!! 😊

27 fevereiro 2017

RESENHA: O Jardim Secreto – Frances Hodgson Burnett


O Jardim Secreto conta a história de Mary Lennox, uma menina mimada e arrogante. A típica criança que provavelmente você não convidaria para a sua festa de aniversário ou não sentaria ao lado dela na sala de aula. Depois de perder os seus pais ainda muito nova, ela é enviada à Inglaterra para viver com seu tio. Mal sabe que essa mudança irá transformar a ela e todos a sua volta por completo. O Jardim Secreto é um livro maravilhoso sobre amizade, afeto, cura e transformação. Mágico e envolvente. Uma leitura carregada de lições que guardaremos por toda a vida.
“O Jardim Secreto” foi um filme marcante na minha infância. Lembro-me de tê-lo assistido pela primeira vez, lá pelos seis, sete anos de idade, junto com a minha tia e já me apaixonar pela história e por toda a magia existente em seu entorno. Desde então, em toda transmissão realizada pela Sessão da Tarde, lá estava eu em frente ao televisor. E, há pouco tempo, graças a Netflix, tive o prazer de conseguir revê-lo.

Imagem do filme 
Semana passada, consegui, enfim, ler o livro no qual o filme foi baseado. Para quem não sabe, a obra foi criada há mais de um século. Publicada originalmente em 1909, foi escrita pela inglesa Frances Hodgson Burnett, também autora de “A Princesinha” (inspiração para o filme homônimo que muitos de vocês devem conhecer!!).

Apesar de a obra cinematográfica, de 1993, seguir bastante o livro, alguns pontos são um tanto diferentes e, já no início, é possível notá-los. Por exemplo, os pais da personagem principal, Mary Lennox, ingleses residentes na Índia e que mal tinham contato com a filha, morrem após serem infectados por um surto de cólera (no filme, era como consequência de um terremoto). A Senhorita Mary, uma menina extremamente mimada de nove anos, é então enviada para a Inglaterra para viver com o Sr. Archibald Craven, seu tio e tutor, em Misselthwaite Manor – uma propriedade gigantesca com mais seiscentos anos e cerca de uma centena de cômodos, localizada próxima a um pântano em Yorkshire. 

Por seu tio permanecer afastado por longos períodos, Mary é deixada sobre os cuidados da governanta local, Sra. Medlock (totalmente diferente da megera apresentada no filme), e de Martha, uma das empregadas da casa e que acaba virando sua amiga. 

Mas o que teria para fazer uma criança sozinha em um local tão grande quanto Misselthwaite Manor? Incentivada por Martha, Mary começa a explorar o terreno, onde acaba conhecendo o idoso Ben Weatherstaff, jardineiro local, e seu pintarroxo. Dentre os jardins presentes na localidade, a menina logo descobre a existência de um permanentemente trancado, onde ninguém entra há dez anos. Com a ajuda do pintarroxo, Mary encontra a porta e a chave, descobrindo ali, um emaranhado de árvores secas e ervas daninha. Percebendo isso, ela resolve cuida-lo, encontrando, enfim, um sentido para sua vida. Mas aquele deverá ser um segredo apenas dela, ninguém nunca deverá saber disso!

Com a ajuda de Dickon Sowerby, irmão de Martha e seu novo amigo com quem acaba compartilhando o jardim secreto, o local começa a ganhar, novamente, vida. Com a chegada da primavera, o jardim se modifica: os tons de cinza, tão presentes nos últimos anos, transformam-se em verde, até alcançarem outras cores, com flores magníficas, as quais Mary nunca havia sequer posto os olhos. Com sua nova rotina, a, anteriormente, desagradável e esquelética Srta. Mary, ganha peso e, assim como seu jardim secreto, uma nova vida. 

Mas a propriedade ainda guardava outro segredo, ao qual a menina nem imaginava. Após ouvir sons de choro e Martha desconversar ao ser questionada a respeito, Mary descobre não ser a única criança naquela casa: há ainda seu primo, Colin. Pouco visto pelo pai, o menino vive trancafiado em um quarto escuro, sem sair da própria cama, pois acredita que irá morrer a qualquer momento. Esse encontro acaba por influenciar a vida de ambos. Impressionado com as histórias do tal jardim e com a esperança de conhecê-lo, Colin, com o apoio de Mary e Dickon, começa a ganhar novas forças. 

Não sei o que mais me encanta nesse conto: o casarão antigo cheio de quartos, a época na qual a história acontece, o jardim com todas as suas flores e cores ou, simplesmente, a trama em si. O livro, narrado em terceira pessoa, é de uma simplicidade gigantesca e inspiradora. É extremamente difícil transformar em palavras o quão incrível é a história de Burnett. 

Apenas para finalizar, o livro possui 312 páginas (edição de 2012, da Dracaena), sua escrita é simples e a leitura bastante rápida, sendo indicada para todas as idades. Além disso, eu realmente acredito que todos deveriam dedicar um tempo para a leitura! E quem se interessar pelo filme, é só acessar a Netflix! 😉

21 fevereiro 2017

RESENHA: Os Delírios de Consumo de Becky Bloom – Sophie Kinsella



Rebecca Bloom é uma jovem londrina com o péssimo hábito do consumismo compulsivo. Apesar de ser uma jornalista especializada em mercado financeiro, não consegue controlar as finanças pessoais. Endividada até a alma, vive fugindo do seu gerente de banco e procurando fórmulas mirabolantes para pagar a fatura do cartão de crédito. E ainda encontra tempo para se apaixonar. Um romance muito divertido que faz um retrato de muitas mulheres das grandes cidades.
Apesar de o filme sobre a saga consumista de Becky Bloom já ser meio antigo (de 2009), só há pouco consegui assisti-lo. É um filme fofo e engraçadinho, então óbvio que eu acabei gostando. Logo, procurei ler o livro no qual fora baseado.

Pois bem, Os Delírios de Consumo de Becky Bloom foi o primeiro livro de Sophie Kinsella ao qual eu tive acesso. A trama, originalmente lançada em 1999, segue as loucuras de Rebecca, uma jornalista econômica incapaz de controlar o próprio dinheiro e que perde totalmente a noção quando se vê diante de uma loja ou uma promoçãozinha básica (e inútil). Quem nunca, né? Exatamente por gastar mais do que ganha, Becky, como é conhecida, encontra-se em uma situação, no mínimo, complicada: já estourou seus cartões de crédito, possui um débito significativo com o banco e todos os dias recebe cartas e mais cartas com cobranças, faturas atrasadas e convocações de banco. Deve até mesmo para sua melhor amiga Suze, com quem divide um apartamento, em Londres.

Entretanto, para nossa protagonista, suas questões financeiras não possuem muita importância: Becky segue sua vida ignorando tais problemas, nunca abre as tais cartas enviadas pelos bancos, vive criando histórias mirabolantes a fim de evitar encontrar seu gerente, etc. Está sempre achando que a compra de uma simples echarpe não afetará em nada suas finanças (aliás, é só ganhar na loteria e todos os seus problemas serão resolvidos...). Para mim, esse é o ponto negativo do livro: a ingenuidade e infantilidade da personagem diante dos problemas. Sinceramente, algumas atitudes dela me irritaram profundamente.

A escrita é totalmente em primeira pessoa, narrada pela protagonista. Além disso, os capítulos são iniciados com algumas das tais cartas enviadas a Srta. Bloom, onde tomamos conhecimentos de algumas das desculpas que ela arranja para não resolver as dividas.

Este é um raro caso onde o filme consegue ser superior ao livro, apesar de haver mudado bastante a história principal. Claro, a trama apresenta passagens bastante divertidas, seguindo bem o gênero Chick-lit pelo qual a autora ficou conhecida. Surge até um romance gostosinho mais para o final da história. Ainda assim, me deixou com a sensação de que poderia ser bem melhor.

Ainda pretendo ler o segundo volume, Becky Bloom - Delírios de Consumo na 5º Avenida. Então, espero que a trama melhore!! Além disso, apenas para informação, em uma rápida busca no Skoob (quem quiser, me adicione aqui), descobri que a série escrita por Sophie Kinsella já consta com oito volumes.

09 fevereiro 2017

RESENHA: Quatro Vidas de um Cachorro – W. Bruce Cameron


Esta é a inesquecível história de um cão que — após renascer várias vezes — imagina que haja uma razão para seu retorno, um propósito a cumprir, e que, enquanto não o alcançar, continuará renascendo. Narrado pelo próprio animal, Quatro vidas de um cachorro aborda a questão mais básica da vida: Por que estamos aqui? Emocionante e com boas doses de humor, Quatro vidas de um cachorro é um livro para todas as idades, que mostra o olhar de um cão sobre o relacionamento entre as pessoas e os laços eternos entre os seres humanos e seus animais.
Confesso que, até pouco tempo, a existência desse livro era desconhecida para mim. O que é uma pena, pois gostaria muito de tê-lo lido antes.

Acredito que, assim como para a maioria de vocês, a obra de Cameron tornou-se conhecida em razão do lançamento de sua versão cinematográfica. Por estar ansiosa pela estreia do filme, tinha planos de apenas lê-lo após minha ida ao cinema. Infelizmente, com todas as notícias desagradáveis a respeito de um suposto maltrato sofrido por um dos cãezinhos, pulei o cinema e mergulhei na leitura. E não me arrependi. A obra tem uma capacidade enorme de emocionar quem a lê. Confesso que tive quatro crises de choros, uma para cada vida desse cachorro incrível, que vocês precisam conhecer. 

Bom, como sugere seu título, o livro apresenta as jornadas de um cachorro ao longo de suas quatro vidas. Narrado totalmente em primeira pessoa, o leitor pode captar a história pela visão do próprio cão, com suas singelas percepções sobre o que vem ocorrendo ao seu redor, tornando a leitura muito mais simples e emocionante.

Inicialmente, somos apresentados a Toby, um filhote que vive nas ruas, junto a sua mãe e irmãos, onde aprende a fugir dos homens e a se alimentar de restos de comida encontrados no lixo. Assim segue sua vidinha, até ser resgatado por um grupo e levado para viver, junto a outros cães, em uma espécie de canil ilegal, por ele chamado de Pátio. 

Em sua segunda vida, ele renasce como um Golden Retriever, chamado Bailey. Com os conhecimentos adquiridos em sua existência anterior, ele consegue fugir do criadouro onde nascera e vai para as ruas, onde é encontrado por uma mulher, que o leva para casa, conhecendo, assim, o menino Ethan, que será responsável por nortear essa e suas próximas vidas. Os dois tem uma conexão imediata. Nessa família, Bailey aprende o que é o amor incondicional. Ali ele é plenamente feliz e seu único propósito na vida é proporcionar igual felicidade ao seu menino. 

Porém, em sua terceira vida, para seu grande susto, ele é uma cadela: Ellie, uma pastora alemã, treinada pela polícia para auxiliar em buscas e resgates - ou, em suas palavras, Encontrar. Com o novo propósito, Ellie passa por dois novos donos, apesar de estar sempre pensando em Ethan: primeiro Jakob (que após ser ferido, afasta-se do serviço) e, por fim, Maya – com quem permanece mesmo depois de aposentada. 

Como Ellie e os auxílios prestados ao resgatar pessoas, nosso protagonista acreditava que seu propósito na Terra estava, enfim, cumprido. Mas eis que, para sua surpresa e frustração, ele se vê novamente como filhote. Abandonado, ele não entende qual a razão de ter voltado mais uma vez. Andando a esmo por uma floresta, percebe um cheiro familiar, algo que faz lembrar-lhe de Ethan. Então, com os “dons” aprendidos em suas outras vidas (sobreviver nas ruas como Toby e farejar como Ellie), entra em uma jornada para encontrar seu menino, tornando-se, assim, o Amigão. 

Esse livro foi um dos mais incríveis que eu já li. Com uma trama simples, delicada, W. Bruce Cameron proporciona ao leitor um misto de sensações, pois assim como é eficiente em seu objetivo de trazer lágrimas ao público, também é capaz de nos fazer rir, principalmente pela inocência com que o cãozinho percebe o mundo. Mas o mais importante de tudo, você acaba vendo nossos bichinhos de outra forma. Se antes já me doía ver aqueles cachorros vagando pelas ruas, hoje me sinto muito pior com toda essa situação. 

Acho que eu nem preciso dizer mais nada sobre essa obra. Apenas leiam!! 

28 janeiro 2017

RESENHA: 12 Anos de Escravidão – Solomon Northup





Talvez a melhor obra dentre todas as narrativas sobre a vida de um escravo, 12 anos de escravidão é um livro de memórias angustiante sobre um dos períodos mais sombrios da história norte-americana. Ele relata como Solomon Northup, nascido um homem livre em Nova York, foi atraído para Washington, D.C., em 1841, com a promessa de um emprego, e então drogado, espancado e vendido como escravo. Ele passou os doze anos seguintes de sua vida em cativeiro, trabalhando, na maior parte do tempo, em uma plantação de algodão na Louisiana. Após seu resgate, Northup escreveu este registro excepcionalmente vívido e detalhado da vida escrava. Tornou-se um sucesso imediato e, hoje, é reconhecido por sua visão incomum e eloquência, como um dos poucos retratos da escravidão americana, redigido por alguém tão culto quanto Solomon Northup - uma pessoa que viveu sua vida sob a óptica de uma dupla perspectiva: ter sido tanto um homem livre como um escravo.
Sei que este livro não é tão novo assim (na verdade, foi publicado originalmente em 1853), mas somente há pouco tempo soube de sua existência, e essa descoberta veio após o lançamento do filme, de mesmo nome, em 2013. Assim como boa parte daqueles que o assistiram, me emocionei bastante com a história de Northup, e fiquei bastante curiosa a respeito de como seria o livro, mas nunca cheguei realmente a procurar adquiri-lo. Até que durante o costumeiro garimpo na Feira do Livro (sim, essa feira ainda tá rendendo), meu namorado e eu encontramos um exemplar em ótimo estado, por apenas R$ 10,00 – quase de graça!! Óbvio que já foi pra nossa listinha de leitura. ☺

A obra tem como principal objetivo narrar a vida de Solomon Northup, durante seus anos de escravidão. Assim como relata a sinopse, acima apresentada, Northup foi um homem livre, morador de Nova York, local onde nasceu e constituiu família (em meados do século XIX – época onde a história se passa – os estados americanos do norte, em grande maioria industrializados, não permitiam a escravidão; enquanto isso, os sulistas, com suas grandes propriedades agrárias, mantinham os escravos como sua principal mão de obra). Ali, Solomon era relativamente conhecido, principalmente com suas habilidades como violinista.

Durante uma ausência temporária de sua esposa e filhos, Solomon foi convidado para acompanhar dois artistas em algumas cidades do norte, apresentando-se com seu violino por alguns dias, recebendo assim, certa quantia em dinheiro por seus serviços. Durante a viagem, acabaram por chegar à capital americana, distrito pertencente às leis escravagistas. Neste local, sua vida mudou drasticamente. Após ser drogado, Solomon foi raptado e vendido, sendo enviado para o estado da Louisiana. 

Durante os doze anos seguintes, Solomon viveu (ou melhor, sobreviveu) como escravo, trabalhando em plantações de algodão e cana, além de, em alguns casos, exercer o papel de marceneiro, sofrendo todos os martírios pelo qual um negro passava à época. Condicionado ao trabalho forçado, Solomon – conhecido, então, como Platt – passou por vários senhores, entre eles Ford, um homem bom e justo, e Epps, um bêbado louco, que encontrava nas chibatadas, seu maior divertimento. 


A narrativa é totalmente escrita em primeira pessoa, o que transmite ao leitor a perspectiva do próprio Solomon de cada situação a qual foi submetido. Sua saga até reencontrar a liberdade é um relato não apenas emocionante, mas por muitas vezes angustiante. É horrível perceber que o tratamento destinado aos escravos era aceito como algo absolutamente normal, como se eles não passassem de uma simples propriedade, com os brancos tendo o direito de usá-los como bem entender. E o pior é pensar que até hoje, mais de cem anos depois, o preconceito contra os negros é uma realidade bastante vívida em nossa sociedade.


Enfim, é uma leitura eficiente em sua capacidade de despertar o interesse do leitor, que está sempre procurando saber o que virá na próxima página. "12 anos de escravidão" é uma obra magnífica, altamente recomendada a todos os públicos.

29 dezembro 2016

RESENHA: Morte na Mesopotâmia – Agatha Christie


Para a enfermeira Amy Leatheran, sua paciente era um caso muito estranho. Louise, casada com um famoso arqueólogo, sofria de angústia nervosa, segundo seu marido. Suas fantasias eram vívidas e macabras: uma mão decepada, um rosto cadavérico contra a vidraça... Mas de que ou de quem ela teria tanto medo? Perto do marido e de velhos colegas e amigos, ela estaria a salvo. Entretanto, a formalidade do grupo não parecia natural: pairava no ar uma tensão, um certo desassossego. Algo muito sinistro estava acontecendo. E tinha a ver com... assassinato. Mrs. Leidner é assassinada. Fora algo muito estranho pois ninguém vira pessoas circularem no pátio do local que dava acesso a cena do crime. Quem teria feito tal monstruosidade? Só uma pessoa poderia responder: Hercule Poirot.
O ano quase finalizado e eu consegui incluir mais um clássico de Agatha Christie na minha listinha. Desta vez, trata-se de “Morte na Mesopotâmia”, escrito em 1936 e, novamente, trazendo o belga Hercule Poirot como detetive.

Nessa trama, o mistério apresentado pela autora se desenvolve na localidade iraquiana de Hassanieh, próxima a Bagdá; mais precisamente, em um sítio arqueológico. Ali vivem pessoas de diferentes nacionalidades e personalidades, entre elas uma senhora inglesa (Miss Johnson), dois rapazes americanos (Mr. Reiter e Mr. Coleman), um casal espanhol (Mrs. e Mr. Mercado) e um monge francês oriundo do Cartago, responsável por decifrar algumas inscrições encontradas nas escavações (Padre Lavigny), além do Dr. Leidner, arqueólogo responsável pela expedição, e sua esposa, a bela Louise Leidner.

Em um local com pessoas tão diferentes é natural que ocorram alguns constrangimentos. E a personagem central de algumas dessas situações delicadas é a própria Mrs. Leidner, que encontra prazer em realizar jogos mentais e provocações para com os outros moradores. Entretanto, ela frequentemente envolve-se em crises de pânico, afirmando sofrer ameaças contra a própria segurança.

Preocupado com o estado psicológico da esposa, Dr. Leidner contrata, então, Amy Leatheran, enfermeira perspicaz e observadora, para cuidar de Louise. Alguns dias depois, um crime vem a ocorrer e Hercule Poirot é convidado para auxiliar a polícia local a resolvê-lo. Mas onde todos parecem culpados, quem teria sido capaz de cometer tal crime?

Para quem gosta de livros de mistério, com uma boa dose de suspense, essa trama é perfeita. Além de prender a atenção do leitor do início ao fim, a leitura flui de maneira verossímil, tornando-se rápida e nada cansativa. A narrativa é desenvolvida em primeira pessoa, com os fatos sendo contados totalmente por Mrs. Leatheran, tornando a trama fácil de ser entendida, dando uma visão própria aos acontecimentos centrais e à investigação desenvolvida por Poirot.

Morte na Mesopotâmia” é um livro inteligente, como todas as grandes obras de Agatha Christie conseguem ser. E para quem gosta de o “Assassinato do Expresso do Oriente”, na parte final da narrativa apresenta uma leve citação sobre os acontecimentos desse outro grande livro da “velha dama”.

08 novembro 2016

RESENHA: Convergente – Veronica Roth

A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou – destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. Em Convergente, o poderoso desfecho da trilogia de Veronica Roth iniciada com Divergente e Insurgente, a jovem será posta diante de novos desafios e mais uma vez obrigada a fazer escolhas que exigem coragem, fidelidade, sacrifício e amor. 
Um ano após iniciar a leitura de Divergente, consegui, enfim, finalizar a trilogia. Por tratar-se do encerramento de uma série, é difícil falar sobre a trama sem entregar grandes spoilers sobre os acontecimentos dos livros anteriores. Assim sendo, nesta resenha eu não relatarei os acontecimentos em si, falarei apenas sobre minha opinião a respeito da leitura. 

Bom, eu já havia assistido ao filme Convergente (e odiado) e, desde então, desejava realizar a leitura do livro, a fim de saber como a história realmente se desenrolava. Posso adiantar que o filme deixou alguns pontos principais, mas modificou absolutamente todo o resto, descaracterizando totalmente a obra criada por Veronica Roth. 


Sobre o livro, eu considerei o mais fraco dos três. Ao contrário dos anteriores, a trama não possui muita ação, focando mais na forma como os personagens estão lidando com os problemas apresentados ao longo da história. A grande questão que envolve a trama, com foco na origem das facções e o fator divergente, eu considerei relativamente fraca. Acreditava que seria algo muito maior e melhor desenvolvido. 


Diferentemente dos livros anteriores, em que a narrativa era apresentada apenas pela perspectiva de Tris, a trama atual traz uma novidade: os capítulos são intercalados entre a protagonista e Quatro (que estava muito chato neste livro, melhorando apenas no final). Essa ideia trouxe alguns pontos positivos para o desenvolvimento da história, deixando-a mais dinâmica em momentos em que ambos os personagens encontravam-se envolvidos em suas próprias tramas, transmitindo ao leitor a visão de cada um diante dos acontecimentos. No entanto, essa forma de narrativa me deixou um pouco confusa em certos momentos, sendo necessário voltar ao início do capítulo apenas para verificar quem estava narrando determinada situação. Apesar disso, entendo que essa mudança na maneira de contar a história foi necessária, principalmente, para a conclusão da obra, cujo final eu gostei, achando bastante coerente com o desenvolvimento da personagem ao longo da trilogia.


Para finalizar, tenho a opinião de que a história foi, aos poucos, se perdendo. O que deveria ser a conclusão de uma trilogia, até então, excelente, tornou-se, infelizmente, um livro arrastado, sem grandes emoções e, por vezes, cansativo demais. 

02 novembro 2016

RESENHA: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada – J.K. Rowling, John Tiffany & Jack Thorne

Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.
Desde que rumores a respeito da publicação de um oitavo livro da série foram confirmados, meu lado potterhead se iluminou. Foi, pelo menos para mim, uma longa espera até o lançamento oficial em português (antecipado em três dias, na Feira do Livro de Porto Alegre).


O livro trata-se, na verdade, de uma edição do roteiro de ensaio da peça de mesmo nome,que estreou em julho deste ano, em Londres. Nele, somos apresentados a um Harry mais velho, prestes a completar quarenta anos, importante funcionário do ministério, casado com Gina e pai de três filhos (Tiago, Alvo e Lílian). A história tem início no ponto onde o sétimo livro da série (as Relíquias da Morte) foi encerrado: dezenove anos após a Batalha de Hogwarts, a família Potter reúne-se na plataforma 9 ½, com Alvo prestes a embarcar para seu primeiro ano em Hogwarts. 

A partir de então, a narrativa começa a ganhar seus contornos. Alvo, perseguido pela fama de ser o filho do Menino-Que-Sobreviveu, não consegue adaptar-se muito bem à vida escolar, desenvolvendo certa dificuldade em fazer amigos, principalmente ao ser enviado, pelo Chapéu Seletor, para uma casa diferente da de sua família. Conta apenas com a companhia de Escórpio Malfoy, um garoto igualmente solitário e filho de Draco, grande rival de Harry, em Hogwarts. E é essa amizade, juntamente com a dificuldade de ambos se entenderem com os pais e a maneira como lidam com o peso de serem filhos de quem são, que norteia toda a trama e gera algumas consequências aos personagens. 

O livro é legal, mas é perceptível durante a leitura que Rowling não colocou muito o dedo na história. Li em alguns lugares que a obra parecia muito com uma fanfic e eu tive a mesma impressão. Alguns pontos são apresentados de forma superficial, em nada parecido com o que foi mostrado até então, ao longo de toda a saga. As situações impostas aos personagens e o modo como eles lidam com elas são pouco trabalhadas, sem falar no modo em que o personagem de Rony Weasley é retratado: apesar de incluído como um alívio cômico, acabou por soar apenas como alguém sem profundidade. Mas se a história me decepcionou em alguns pontos, em outros me surpreendeu. Adorei conhecer o personagem de Escórpio e o desenrolar de sua amizade com Alvo. 

É importante lembrar que a história é totalmente escrita em forma de roteiro de peça, sendo construída quase exclusivamente por diálogos, então algumas pessoas podem estranhar um pouco. Mas é exatamente esse fato que faz a leitura fluir, desenvolvendo-se rapidamente.


E como grande fã de Harry Potter, foi incrível ter a oportunidade de acompanhar mais um capítulo dessa saga que marcou a minha vida. A cada virada de página e cada diálogo que remetia ao passado, eu sentia uma forte pontada de nostalgia. Foi ótimo voltar a esse mundo e acompanhar o que aconteceu com os personagens com os quais eu cresci, que muito me fizeram rir e me emocionar. 

Foi ótimo voltar a Hogwarts! 

18 outubro 2016

RESENHA: Morte na Rua Hickory – Agatha Christie

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Em mais essa aventura de Agatha Christie, o detetive particular Hercule Poirot está às voltas com sua assistente, srta. Lemon, para tentar descobrir a causa de incidentes muito estranhos ocorridos em uma pensão freqüentada por jovens estudantes.
Nesta trama, o leitor encontra-se novamente com Hercule Poirot, um dos detetives mais conhecidos das obras de Christie.

Desta vez, Poirot resolve auxiliar a Sra. Hubbard, responsável por uma pensão destinada a estudantes – e irmã de sua secretária (Srta. Lemon) – a solucionar uma série de estranhos furtos que vem ocorrendo no local. O que parecia ser uma simples investigação, com uma rápida confissão, transforma-se em investigação policial, quando um dos estudantes amanhece morto, junto a uma suspeita carta de homicídio. A partir de então, Poirot, auxiliando a polícia a pedido do Inspetor Sharpe, inicia uma investigação, onde todos os moradores da pensão da Rua Hickory, 26, tornam-se suspeitos. 

A narrativa segue os mesmos padrões dos clássicos de Agatha Christie, repleta de mistérios e reviravoltas. Entretanto, não chega aos pés das obras mais famosas da escritora britânica. A história desenrola-se de maneira simples, tornando-se uma leitura fácil e, com suas 150 páginas, rápida.

Conheci Agatha Christie quando eu tinha uns 14 anos e já perdi a conta de quantos dos seus livros eu já li. Apenas aqui em casa, existem uns 30 livros dela, sendo o meu primeiro, "Assassinato no Expresso Oriente", um dos meus preferidos. 

Então, para quem não leu um livro da autora, recomendo muito. Seus romances policiais são uma delícia de ler, envolvendo sempre muitas reviravoltas até os crimes conseguirem ser solucionados. Além disso, é ótimo tentar adivinhar quem é o culpado!

23 setembro 2016

RESENHA: O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares – Ransom Riggs




Eleito uma das 100 obras mais importantes da literatura jovem de todos os tempos, O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, é um romance que mistura ficção e fotografia. A história começa com uma tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo - por mais impossível que possa parecer - ainda podem estar vivas. 
            No início deste ano, durante visita a uma livraria, me deparei com “Cidade dos Etéreos”, segundo livro de uma série até então desconhecida para mim. Minha atenção foi imediatamente atraída pela imagem presente na capa. Após folheá-lo, me encantei com as fotos antigas e sombrias que ilustram a obra. Desde então, passou a integrar minha listinha de leitura.
            Entretanto, apenas agora consegui (depois de uma ótima promoção do Submarino) adquirir os dois primeiros livros da série que teve o terceiro volume (Biblioteca de Almas) lançado, recentemente, no Brasil.


Uma ilha misteriosa.Um orfanato abandonado.Uma estranha coleção de fotografias muito peculiares.
           O primeiro livro, O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, nos apresenta ao protagonista Jacob Portman, um garoto de 16 anos. Quando criança, Jake encantava-se com as fantásticas histórias sobre o passado de seu avô, Abe – um judeu polonês que, durante a Segunda Guerra Mundial, refugiou-se no País de Gales, em um lar habitado por crianças capazes de realizar coisas consideradas nada comuns. Porém, conforme foi crescendo, Jake passou a acreditar cada vez menos nessas histórias: será que não eram apenas invenções de seu avô para apagar as memórias horríveis sobre sua fuga da Polônia nazista?


            Após a estranha morte de Abe, Jake viaja até o País de Gales com o objetivo de descobrir um pouco mais do local e das pessoas que habitaram o imaginário de seu avô. No entanto, essa viagem acaba revelando que as antigas histórias podem não ser tão fantasiosas quanto ele, até então, acreditava. Jake é, então, apresentado ao lar onde seu avô passou tanto tempo, às crianças que o habitavam e seus dons peculiares. Mas é possível essas crianças estarem vivas após tantos anos? 


O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares inova na forma como a história é apresentada, com as fotografias de época dando um toque sombrio, encaixando-se perfeitamente ao desenrolar da trama. 


O livro, narrado em primeira pessoa pelo protagonista, é de uma leitura fácil e rápida. Posso dizer que se trata de um bom livro, mas apenas isso. Eu havia criado muita expectativa em torno da história, então acabei me decepcionando. Gostei mais da primeira metade da trama – onde o mistério em torno do passado de Abe Portman ainda estava presente –, comparada à ação apresentada na segunda parte. Além disso, acredito que o romance do casal protagonista poderia ter sido explorado de forma um pouco diferente - tudo ocorre rápido demais e sem muito sentido, pelo menos para mim. Mas nada que estrague a leitura e a curiosidade para descobrir o que irá ocorrer no segundo livro da série.  


Por fim, ressalto a adaptação cinematográfica da obra, dirigida por Tim Burton, com estreia prevista para o próximo dia 29 de setembro. O filme, cujo trailer pode ser conferido abaixo, traz, em seu elenco, atores como Eva Green, Asa Butterfield,  Samuel L. Jackson e Judi Dench. E, para quem já leu o livro, é possível perceber uma mudança significativa na adaptação para o cinema.