15 julho 2017

RESENHA: Canções de Ninar de Auschwitz – Mario Escobar


Neste livro, Mario Escobar conta a trajetória real de uma família que passou 16 meses encarcerada em um campo de concentração nazista. Helene Hannemann era alemã, mas mesmo assim optou por partir para Auschwitz junto de seu marido e os cinco filhos com ascendência cigana quando os policiais da Gestapo bateram à sua porta. Por ser enfermeira, mas, sobretudo, alemã, Helene foi escolhida pelo médico Josef Mengele, mais tarde conhecido como ‘O Anjo da Morte’, para ser a diretora do jardim de infância do campo. No final da guerra, entre os papéis de Mengele, foi encontrado o diário que Helene manteve durante todo o seu período no campo de extermínio. Tendo como base a infeliz história daquela família, o autor nos emociona e surpreende ao narrar os medos, privações, torturas e até mesmo histórias de superação que milhares de pessoas vivenciaram sob o poder dos nazistas. 
É de conhecimento geral o fato de a Alemanha carregar uma grande mancha em sua história. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo nazista foi responsável direto pelo assassinato em massa de milhões de pessoas em seus campos de extermínio. Apesar de o povo judaico ter sido o principal alvo do regime, muitos ignoram que esses campos (sendo Auschwitz o maior e mais conhecido deles) foram cenários do aprisionamento e morte de outros grupos também considerados “indesejáveis”, como prisioneiros soviéticos, homossexuais, indivíduos com problemas físicos e/ou mentais, divergentes políticos e ciganos. É sobre este último povo que se trata o livro.

Pois bem, como descrito na sinopse, Mario Escobar nos apresenta a história real da enfermeira alemã Helene Hannemann, casada há anos com Johann, um violinista de origem cigana, e mãe de cinco filhos: Blaz, Otis, o casal de gêmeos Emily e Ernest e a pequena Adália. Por pertencer a um dos tais povos indesejados – conhecido como zíngaro pelos alemães –, sua família é levada, em maio de 1943, pela Gestapo (a polícia secreta nazista), à Auschwitz, na Polônia. Apesar de ser considerada uma autêntica ariana e, dessa forma, ter o direito de continuar livre, Helene decide acompanhá-los. 


Depois de uma longa e torturante viagem de trem, a família Hannemann chega ao acampamento cigano, em Birkenau Auschwitz II. Separados de Johann, Helene e os filhos são, inicialmente, conduzidos ao barracão de número quatro, ocupado por prisioneiras russas, onde passam seus primeiros dias em grande sofrimento. Logo, nossa protagonista consegue autorização de mudança para junto de outros ciganos e, assim, tem início sua emocionante luta em manter sua família viva. 

Como enfermeira, Helene imediatamente é designada para trabalhar junto ao hospital do campo, chamando a atenção do médico nazista Josef Mengele. O chamado “Anjo da Morte”, admirado por sua coragem ao decidir seguir a família (e, principalmente, por ser alemã), a nomeia responsável por montar e dirigir a creche que seria criada no acampamento cigano. Neste local, Helene percebe a oportunidade de salvar não apenas seus filhos, mas o maior número possível de crianças. Dirigindo a creche de maio de 1943 a agosto de 1944 e decidida a sobreviver a qualquer custo, Helene enfrentou Mengele e oficiais nazistas para garantir a esperança e a inocência viva dentro daquelas crianças.



Ao longo do relato de Helene, o leitor é apresentado aos horrores presentes em tais campos de extermínio, junto às atrocidades presentes nas experiências realizadas por Mengele. Apesar de recomendar ao público interessado em histórias sobre a Segunda Grande Guerra, considerei romantizada demais a forma encontrada pelo autor para expressar as emoções e pensamentos da protagonista. Talvez Escobar tenha tentado amenizar um pouco o impacto da experiência para o leitor, mas deu a impressão de algumas passagens serem tanto quanto fantasiosa, mas nada que afete o prazer da leitura.



Alguém já conhecia a história de Helene? 

18 abril 2017

DICAS DO BLOG: A 13ª Emenda (13th)

Quem acompanha o blog sabe que o foco principal é a resenha de livros, além de realizar comentários sobre séries e filmes adaptados dos mesmos. Mas o meu gosto é tão variado e costumo acompanhar tantas coisas diferentes que resolvi compartilhar com vocês. Vou destinar, então, um espaço, no Cheirando Histórias, voltado à dica de conteúdos não muito explorados por aqui.



Neste primeiro post, aproveito para indicar um documentário que assisti durante o feriado de Páscoa e achei fantástico. A 13ª Emenda é uma produção original Netflix, lançado em outubro de 2016 (desde então, estava em minha lista e, infelizmente, assisti só agora), idealizado e dirigido por Ava DuVernay (de Selma).

O documentário traz a opinião de vários especialistas, ativistas e políticos sobre o atual sistema carcerário dos Estados Unidos, sua relação com a população negra do país e como ele está profundamente vinculado à 13ª emenda à Constituição Norte-Americana. Para quem não sabe, essa emenda refere-se à abolição da escravidão em todo o território norte-americano, em 1863. Segundo consta, a partir daquela data, não haveria “(...) nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado". Estudiosos relatam então, como o governo soube aproveitar-se dessa brecha para continuar a manter os negros aprisionados e realizando trabalhos forçados e não-remunerados para o país, causando o primeiro encarceramento em massa de sua história. O documentário consegue prender a atenção do telespectador durante todos os 100 minutos de exibição, transmitindo um relato conciso sobre como a imagem dos negros foi deturpada e criminalizada no decorrer dos anos e como as políticas criminais sempre foram desenvolvidas visando prejudica-los e oprimi-los. Leis criadas, inclusive, por presidentes como Richard Nixon, Ronald Reagan e Bill Clinton.



Além disso, através de dados e relatos, A 13ª Emenda nos leva a questionar as razões de os EUA possuírem a maior população carcerária do mundo – logo no início, somos brindados com o discurso de Barack Obama sobre o fato de os presos americanos representarem 25% do total mundial. A resposta é simples e inquietante: há toda uma indústria lucrando com as prisões e seus aprisionados. Afinal, grandes empresas, desde Microsoft a Victoria’s Secret, utilizam desses trabalhos forçados.

Para quem ficou interessado, segue o trailer legendado do documentário:


Se você já assistiu, aproveite para dar uma olhada na entrevista disponibilizada, este ano, pela Netflix. No vídeo de pouco mais de trinta minutos, Oprah Winfrey conversa com Ava DuVernay, no qual a diretora conta os motivos que a levaram a realizar o documentário, assim como as dificuldades encontradas. O filme se chama A 13ª Emenda - Oprah Winfrey entrevista Ava DuVernay e vale muito a pena!


Assistam e depois me contem a opinião de vocês!! 



30 março 2017

OS 13 PORQUÊS (13 Reasons Why) – Novo lançamento da Netflix

Hoje, eu resolvi mudar um pouco o assunto. Vim falar sobre uma série que estou bastante ansiosa para assistir: Os 13 Porquês (13 Reasons Why).


Com estreia mundial marcada para esta sexta, 31 de março, na Netflix, a série possui todos os ingredientes para se transformar em mais um grande sucesso da conhecida plataforma de streaming. Produzida pela atriz e cantora Selena Gomez, a trama é baseada na obra homônima de Jay Asher.

Publicado em 2007, nos Estados Unidos, o livro tornou-se um fenômeno, chegando a alcançar o primeiro lugar na lista de best-sellers do New York Times, quatro anos depois. Infelizmente, no Brasil, a obra de Asher ainda é relativamente conhecida, só alcançando o grande público em razão da Netflix. Li esse livro incrível há alguns anos, em meados de 2010 – apenas tive acesso à história por meio de arquivos em .pdf, disponibilizados na internet –, e me encantei pela trama.


A narrativa de Os 13 Porquês baseia-se em Clay Jensen, um adolescente de dezesseis anos, que, certa tarde ao chegar do colégio, encontra, à sua espera, um caixa e, em seu interior, algumas fitas cassetes. Ao escutar o conteúdo das mesmas, uma surpresa: a voz, presente nas gravações, pertence à Hannah Baker, uma colega que cometera suicídio havia poucos dias. Nas fitas, ela descreve as razões que a levaram a tirar a própria vida e as pessoas responsáveis por essa decisão. E Clay não é o único a ter acesso a essas gravações: cada uma das pessoas relacionadas com sua morte receberão a caixa e, após ouvirem seu conteúdo, deverão repassar para a pessoa seguinte.


A trama criada por Jay Asher é sensacional. Apesar de estar relacionada ao universo adolescente, foge bastante de outros romances ao qual o público está acostumado. Além de tratar de um tema pesado e delicado, como o suicídio, a história ainda toca em um assunto amplamente discutido atualmente: o bullying.

Segundo a Netflix, a série terá treze episódios. Seu elenco traz a estreante Katherine Langford, no papel de Hannah, e Dylan Minnette (Goosebumps – Monstros e Arrepios) como Clay; além de contar ainda com a presença da sempre maravilhosa Kate Walsh (a dra. Adisson, de Grey’s Anatomy).


Estou muito ansiosa para essa estreia e já pretendo fazer maratona 😊. Espero, sinceramente, que a série não cause decepções, pois minhas expectativas estão bastante elevadas!! Os 13 Porquês foi um livro que me marcou profundamente, permanecendo em meus pensamentos durante muito tempo após a leitura do mesmo. Espero que essa adaptação seja capaz de produzir os mesmos sentimentos que o livro me incutiu há sete anos...

E, para quem ainda não assistiu, segue o trailer legendado da série, liberado, no início do mês, pela Netflix.


26 março 2017

RESENHA: Fiquei com o seu número – Sophie Kinsella


A jovem Poppy Wyatt está prestes a se casar com o homem perfeito e não podia estar mais feliz... Até que, numa bela tarde, ela não só perde o anel de noivado (que está na família do noivo há três gerações) como também seu celular. Mas ela acaba encontrando um telefone abandonado no hotel em que está hospedada. Perfeito! Agora os funcionários podem ligar para ela quando encontrarem seu anel. Quem não gosta nada da história é o dono do celular, o executivo Sam Roxton, que não suporta a ideia de haver alguém bisbilhotando suas mensagens e sua vida pessoal. Mas, depois de alguns torpedos, Poppy e Sam acabam ficando cada vez mais próximos e ela percebe que a maior surpresa da sua vida ainda está por vir.
Segunda obra de Sophie Kinsella lido por mim (o anterior havia sido "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom) e estou começando a gostar do estilo da autora. Com uma trama leve e divertida, Kinsella nos apresenta Poppy Wyatt, uma fisioterapeuta inglesa, que, às vésperas de casar-se com Magnus Tavis, o homem de seus sonhos, leva uma vida praticamente perfeita. Entretanto, durante uma reunião com as amigas, o anel de noivado de Poppy (presente há gerações na família Tavis) desaparece e, logo em seguida, seu celular é roubado.

Desesperada, sem um número para ser contatada caso a joia seja recuperada, Poppy encontra, quase por milagre, um celular abandonado em uma lata de lixo. Seguindo a velha regra do “Achado não é roubado!” (afinal, estava em uma lixeira e lixeira é propriedade pública!!), apropria-se imediatamente do aparelho. O problema é que o celular pertence a Sam Roxton, um bem-sucedido executivo londrino, e à empresa onde trabalha. Disposta a ficar com o aparelho, nossa protagonista se compromete a repassar todos os recados e e-mails importantes a Sam até seu anel ser encontrado. Afinal, não deve demorar tanto tempo assim... Certo?

Entretanto, ao dividir algo tão pessoal quanto um celular, é natural que Sam e Poppy comecem a se conhecer melhor, causando muitas mudanças na vida de ambos. Mas, ao longo do caminho, Poppy ainda passará por pequenas trapalhadas.

Sophie Kinsella nos brinda com uma típica história do gênero chick-lit, com boas pitadas de humor e romance. Mesmo sendo um pouco previsível, a história me prendeu bastante. A obra é inteiramente narrada pela protagonista, uma mulher interessante e divertida, esforçada em agradar a todos. E esse acaba sendo seu ponto negativo: sempre preocupada com a opinião das pessoas à sua volta, Poppy acaba por anular a si própria – fato que acabou me irritando em alguns momentos.

No Brasil, o livro foi lançado em 2012, pela Editora Record. Apesar de ser um pouco extenso (o livro possui 464 páginas), a escrita é bem simples e a leitura flui naturalmente. Ótima para quem procura um romance fofo simplesmente para passar o tempo e relaxar!! 😊

27 fevereiro 2017

RESENHA: O Jardim Secreto – Frances Hodgson Burnett


O Jardim Secreto conta a história de Mary Lennox, uma menina mimada e arrogante. A típica criança que provavelmente você não convidaria para a sua festa de aniversário ou não sentaria ao lado dela na sala de aula. Depois de perder os seus pais ainda muito nova, ela é enviada à Inglaterra para viver com seu tio. Mal sabe que essa mudança irá transformar a ela e todos a sua volta por completo. O Jardim Secreto é um livro maravilhoso sobre amizade, afeto, cura e transformação. Mágico e envolvente. Uma leitura carregada de lições que guardaremos por toda a vida.
“O Jardim Secreto” foi um filme marcante na minha infância. Lembro-me de tê-lo assistido pela primeira vez, lá pelos seis, sete anos de idade, junto com a minha tia e já me apaixonar pela história e por toda a magia existente em seu entorno. Desde então, em toda transmissão realizada pela Sessão da Tarde, lá estava eu em frente ao televisor. E, há pouco tempo, graças a Netflix, tive o prazer de conseguir revê-lo.

Imagem do filme 
Semana passada, consegui, enfim, ler o livro no qual o filme foi baseado. Para quem não sabe, a obra foi criada há mais de um século. Publicada originalmente em 1909, foi escrita pela inglesa Frances Hodgson Burnett, também autora de “A Princesinha” (inspiração para o filme homônimo que muitos de vocês devem conhecer!!).

Apesar de a obra cinematográfica, de 1993, seguir bastante o livro, alguns pontos são um tanto diferentes e, já no início, é possível notá-los. Por exemplo, os pais da personagem principal, Mary Lennox, ingleses residentes na Índia e que mal tinham contato com a filha, morrem após serem infectados por um surto de cólera (no filme, era como consequência de um terremoto). A Senhorita Mary, uma menina extremamente mimada de nove anos, é então enviada para a Inglaterra para viver com o Sr. Archibald Craven, seu tio e tutor, em Misselthwaite Manor – uma propriedade gigantesca com mais seiscentos anos e cerca de uma centena de cômodos, localizada próxima a um pântano em Yorkshire. 

Por seu tio permanecer afastado por longos períodos, Mary é deixada sobre os cuidados da governanta local, Sra. Medlock (totalmente diferente da megera apresentada no filme), e de Martha, uma das empregadas da casa e que acaba virando sua amiga. 

Mas o que teria para fazer uma criança sozinha em um local tão grande quanto Misselthwaite Manor? Incentivada por Martha, Mary começa a explorar o terreno, onde acaba conhecendo o idoso Ben Weatherstaff, jardineiro local, e seu pintarroxo. Dentre os jardins presentes na localidade, a menina logo descobre a existência de um permanentemente trancado, onde ninguém entra há dez anos. Com a ajuda do pintarroxo, Mary encontra a porta e a chave, descobrindo ali, um emaranhado de árvores secas e ervas daninha. Percebendo isso, ela resolve cuida-lo, encontrando, enfim, um sentido para sua vida. Mas aquele deverá ser um segredo apenas dela, ninguém nunca deverá saber disso!

Com a ajuda de Dickon Sowerby, irmão de Martha e seu novo amigo com quem acaba compartilhando o jardim secreto, o local começa a ganhar, novamente, vida. Com a chegada da primavera, o jardim se modifica: os tons de cinza, tão presentes nos últimos anos, transformam-se em verde, até alcançarem outras cores, com flores magníficas, as quais Mary nunca havia sequer posto os olhos. Com sua nova rotina, a, anteriormente, desagradável e esquelética Srta. Mary, ganha peso e, assim como seu jardim secreto, uma nova vida. 

Mas a propriedade ainda guardava outro segredo, ao qual a menina nem imaginava. Após ouvir sons de choro e Martha desconversar ao ser questionada a respeito, Mary descobre não ser a única criança naquela casa: há ainda seu primo, Colin. Pouco visto pelo pai, o menino vive trancafiado em um quarto escuro, sem sair da própria cama, pois acredita que irá morrer a qualquer momento. Esse encontro acaba por influenciar a vida de ambos. Impressionado com as histórias do tal jardim e com a esperança de conhecê-lo, Colin, com o apoio de Mary e Dickon, começa a ganhar novas forças. 

Não sei o que mais me encanta nesse conto: o casarão antigo cheio de quartos, a época na qual a história acontece, o jardim com todas as suas flores e cores ou, simplesmente, a trama em si. O livro, narrado em terceira pessoa, é de uma simplicidade gigantesca e inspiradora. É extremamente difícil transformar em palavras o quão incrível é a história de Burnett. 

Apenas para finalizar, o livro possui 312 páginas (edição de 2012, da Dracaena), sua escrita é simples e a leitura bastante rápida, sendo indicada para todas as idades. Além disso, eu realmente acredito que todos deveriam dedicar um tempo para a leitura! E quem se interessar pelo filme, é só acessar a Netflix! 😉